terça-feira, 15 de outubro de 2013

Machado do Pinheiro

Machado do Pinheiro

O machado levado ao plenário na última sexta-feira (11) pelo vereador Wilson Pinheiro (PTN) continuou dando pano para manga ontem na última sessão ordinária deste mês na Câmara Municipal de Uberlândia. Na edição de sábado da coluna, a imagem do vereador amolando a peça de metal do machado foi publicada e já havia a previsão de que a brincadeira alusiva ao sobrenome do prefeito Gilmar Machado e o ato de “amolar” poderiam render problemas para o vereador da oposição. E foi dito e feito. Ontem, integrantes da base governista, capitaneados pelo líder de governo Professor Neivaldo Lima (PT), recolheram assinaturas para formalizar a abertura de uma Comissão Temporária de Inquérito (CTI) para averiguar uma eventual quebra de decoro parlamentar do vereador. O Regimento Interno da Câmara prevê como falta grave e passível de cassação do mandato o porte de arma dentro do plenário. Já o vereador alegou que o machado seria uma ferramenta de trabalho. A manobra governista, no entanto, não foi adiante. A começar pelas assinaturas no requerimento de abertura da comissão especial. Depois de assinar o documento, os vereadores Ismar Prado (PT), Leles Lima (PMN) e Sebastião Galego (PSC) pediram para retirar a assinatura do pedido contra o vereador.

15 votos não

Como só uma assinatura bastava para abrir o procedimento, o pedido para instaurar a Comissão Temporária de Inquérito foi levado à votação. E os governistas saíram derrotados do plenário neste caso para complicar a vida de Wilson Pinheiro. Por 15 votos contrários, sete favoráveis e quatro ausências na hora da votação, a formação da comissão não vingou.

Sintomática

A derrota dos governistas nessa votação acende o sinal amarelo de alerta no gabinete do prefeito de que aquela maioria folgada do início do ano plenário já não é mais a mesma, mesmo. A bancada do partido Solidariedade, por exemplo, que terá condução independente, foi solidária ao vereador Wilson Pinheiro e votou em massa contra o pedido do líder de governo para a abertura da comissão. Só neste “não” da nova bancada são quatro votos. Integrantes do Bloco Social Trabalhista (PSB/PDT/PMN/PSDC/PPL) também foram contra a orientação da liderança. Entre eles, a vereadora Jerônima Carlesso (PPL), Mário Milken (PDT), Leles Lima (PMN) e Gláucia da Saúde (PMN).

Reunião da bancada

Questionado pela coluna se aquela preponderância da base governista do início do ano já não seria mais a mesma, o líder da bancada Neivaldo Lima afirmou que o grupo ligado ao prefeito ainda vai discutir o posicionamento dos aliados. “Acredito que foi uma discussão à parte. Uma parte da base não ouviu o nosso apelo e ficou atenta com a questão de ser um vereador e companheiro de trabalho. Mas todo dia ele (Wilson Pinheiro) desrespeita os outros vereadores. Aos pares da base, teremos o momento de reunião para avaliar essas ações”, afirmou o líder. Ontem, também houve a primeira derrubada de um veto do prefeito Gilmar Machado na Câmara neste ano. A matéria, no entanto, teve consenso dentro da base governista para conduzir a negativa ao veto.

Na tribuna

Depois do alívio da votação favorável a si próprio, Wilson Pinheiro utilizou a tribuna para atacar um assessor do gabinete do prefeito. Ele afirmou que o articulador de Gilmar Machado no Legislativo estaria pressionando os vereadores da base a votar a favor da constituição da comissão de inquérito. “Falta de decoro é assessor do prefeito vir para a Câmara articular aqui no plenário e lá dentro do café”, afirmou. O assessor citado, Marinho Sebastião Rodrigues, negou que tenha pressionado os vereadores a votar a favor do pedido do líder de governo. “Sempre acompanhei as sessões e não vim aqui para intimidar ninguém”, disse o assessor do prefeito.

Continuar amolando

Em entrevista para a coluna e ao colega jornalista Rick Paranhos, Wilson Pinheiro disse que continuará “amolando” o Machado. “Vou continuar amolando o Machado sempre que ele utilizar a caneta como uma arma contra o povo de Uberlândia”, afirmou o vereador, explicando que levou a ferramenta para o plenário para protestar contra a manutenção do secretário de Meio Ambiente, Hélio Mendes (PV), no cargo após haver processos ambientais contra o titular da pasta na cidade. “Queria ter trazido uma motosserra, mas o barulho iria atrapalhar a sessão”, disse o vereador.

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